Prevenção do Suicídio – Quebrando tabus, salvando vidas!

Nunca se falou tanto em saúde mental como agora. A necessidade do cuidado com a saúde de uma forma integral nunca foi tão necessária e preconizada. Se desligar de um modelo estritamente médico e medicamentoso e pensar nas emoções e sentimentos tendo a psicologia como suporte, com certeza nos assegura uma saúde física e mental muito mais abrangente e assim, um cuidado de forma individual e centrado na pessoa e nas suas emoções. Por isso precisamos entender que quebrar alguns tabus e pensar em novas alternativas é necessário para salvar vidas, sobretudo no momento pandêmico que vivemos, onde a prevenção se faz necessário tanto quanto qualquer tratamento.

No mês de setembro há 18 anos foi criado o “Setembro Amarelo” data que foi instituída pela Organização Mundial de Saúde – OMS, que é um movimento de conscientização contra o suicídio que começou com a história de Mike Emme, nos Estados Unidos, um jovem de personalidade carinhosa e com habilidades mecânicas, que restaurou e pintou de amarelo seu Mustang ano 68. Porém, em 1994, Mike morreu por suicídio com apenas 17 anos e nem a família e os amigos de Mike, perceberam os sinais daquilo que ele pretendia, justamente porque os sinais muitas vezes são bastante sutis e difíceis de identificar. Durante seu funeral, os amigos montaram uma cesta de cartões e fitas amarelas com a mensagem: “Se precisar, peça ajuda”. A ação ganhou grandes proporções e expandiram-se pelo país, diversos jovens passaram a utilizar cartões amarelos para pedir ajuda a pessoas próximas. A fita amarela foi escolhida como símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscarem ajuda.

O suicídio é cercado de muitos traumas e desconfortos e ainda hoje é tido como ‘vergonhoso’ em algumas famílias e culturas, que preferem não falar sobre o assunto temendo não serem aceitos ou compreendidos os motivos do suicídio. É muito difícil e às vezes quase impossível sabermos a causa exata de um suicídio, muitos familiares vivem com deduções para se justificarem ou até mesmo se culparem pelo ato, o que não resolve e acabam criando uma mística sobre o assunto dentro daquela família enlutada. Esse é o primeiro tabu que deve ser quebrado, precisamos falar sobre suicídio de uma maneira cuidadosa e acolhedora para que aja respeito e assim entendermos que esse primeiro passo desmistifica o que muitos pensam de que falar sobre o assunto estimula ao suicídio de outros ou então passam informações erradas que acabam culpabilizando essa ou aquela pessoa, isso não ajuda e somente piora a situação do suicídio como evento e de potenciais suicidas. Culpabilizar pessoas, mostrar métodos letais e o sensacionalismo ajudam a aumentar o número de suicídios que já é muito grande e tem aumentado cada dia mais.

Hoje no Brasil morre por suicídio uma pessoa a cada 45 minutos e entre a sua grande maioria estão os jovens de 15 a 29 anos. Por isso, pensar e discutir sobre saúde mental é de extrema necessidade e urgência, pois a grande maioria dos suicídios está associada a algum transtorno mental, por exemplo, depressão, ansiedade e tantos outros transtornos que acabam se intensificando também por condições sociais e econômicas. Falar de saúde mental é poder dar vazão a sentimentos e dores mais profundas e assim, cuidar de cada um permitindo que fale das suas angustias. Quando falamos sobre suicídio, estamos fazendo um trabalho de prevenção.

Ter alguns cuidados como citei algumas vezes nesse texto, como ‘morrer por suicídio’ e não ‘suicidar-se’ pois o simples fato de dizer que alguém ‘se suicidou’, atribuímos a ele a culpa pelo ato suicida e isso se estende a seus familiares que se sentem impotentes e muitas vezes culpados por não ter conseguido impedir o suicídio de um familiar ou amigo. Quando falamos de suicídio, estamos falando de uma dor, associada a um transtorno mental e não do desejo de morrer, pois alguém que morre por suicídio, não quer de fato morrer, quer simplesmente se livrar de um dor insuportável. Infelizmente o caminho mais curto que escolhe num determinado momento é morrer. E isso que precisamos impedir.

Cuidar da saúde mental deixou a muito tempo de ser algo distante e se tornou de extrema necessidade. Só assim vamos conseguir acolher a dor do outro, tratar um possível transtorno mental de forma adequada e então, impedir mortes por suicídio. Quebrar tabus, salva vidas!

EDIMAR OTAVIO BATISTA DA COSTA

CRP 06/92.777

Psicólogo Clínico, graduado pela Universidade São Marcos. Especialista em Psicologia Hospitalar, Pós-Graduado pela Unisaopaulo com atuação no Hospital das Clínicas no Programa Estadual de Saúde Integral do Adolescente de São Paulo e Hospital Santa Paula. Terapeuta de Casal e Família, Pós-Graduado pela UNIFESP com atuação na Unifac – Unidade de Intervenção e Estudos com Família e Comunidade. Especialista em Terapia Sexual – Sexólogo, Pós-Graduado pela UNISAL. Especialista em Suicidologia: Prevenção e Posvenção, Processos Autidestrutivos e Luto, Pós-Graduado pela USCS com atuação em Grupos de Enlutados e de Autocuidado e Facilitador em Capacitações sobre Prevenção e Posvenção do Suicídio. MBA em Gestão, Inovação e Serviços em Saúde, Pós-graduando pela PUCRS. Professor Universitário, Palestrante, Consultor em Psico-Higiêne atuando em Escolas, Centro de Acolhimento, Empresas e Serviços de Assistência Social.