Dando asas aos alunos, mas sem deixar de fortalecer as raízes

A experiência do sistema de gestão por alunos do RP Lab na Faculdade Paulista de Comunicação

Por Prof. Me. Thiérri Parmigiani – Conselheiro do CONRERP2 SP/PR – registro 4566

No começo de 2020 eu assumi, juntamente com as professoras Mariana Babalin e Rosângela Eugênia, a responsabilidade de montar a agência experimental de Relações Públicas da FPAC. Foi quando, pensando na estrutura a ser adotada, optamos por garantir que nossos alunos não só adquirissem experiência de atividades de Relações Públicas nesse espaço controlado, como também tivessem experiência de gestão. E eu abracei essa ideia por conta de uma experiência ruim que tive no mercado.

            Ainda no meu último semestre da faculdade, fui chamado para coordenar um departamento dentro de uma agência. Foi um horror. Embora eu já tivesse um bom conhecimento na área que assumi, eu não entendia nada de gestão. Cometi erros bobos, não soube administrar as demandas e muito menos o trabalho do meu único estagiário. Quando tive que demiti-lo eu nem dormi direito. Na época eu já havia percebido, mas hoje é ainda mais claro que gerir uma equipe é um trabalho totalmente diferente do que a gente aprende nos cursos de comunicação.

            Foi com base nessa minha experiência que meus olhos brilharam com a possibilidade de, dentro de uma agência experimental universitária coordenada por mim, poder garantir que alguns alunos aprenderiam mais do que Relações Públicas.

            O RP Lab ganhou forma: Teríamos departamentos e cada um seria coordenado por um(a) Aluno(a) Líder que acionaria os professores sempre que precisasse de qualquer ajuda. Selecionamos esses alunos (que deveriam estar no terceiro ou quarto ano) e depois, juntamente com eles, fizemos os processos seletivos das equipes, afinal, nada mais justo do que eles participarem da seleção da própria equipe.

            2020, primeiro ano do projeto, pandemia… acabou que a distância atrapalhou o acompanhamento dos trabalhos e a autonomia das equipes afastou um pouco os professores dos trabalhos desenvolvidos. Eles nos consultavam em coisas específicas e tocavam o barco. As equipes funcionaram muito bem. Bem até demais!

            Em julho eu recebi uma ligação do coordenador de uma OSC que uma das equipes atendia. Meu coração até gelou, mas ele ligou para “agradecer o trabalho da garotada”. Ele estava muito satisfeito e queria dizer que o site novo estava ficando lindo. Na minha cabeça só ecoava uma coisa: “Site? Que site?”. Está certo que com a pandemia a gente acabou se afastando um pouco das demandas tocadas pelos alunos, mas daí para ter ações que nem passaram pelo crivo dos docentes era algo que não poderia acontecer. Ainda mais para um cliente real.

            No segundo semestre acompanhei mais de perto e agora em 2021, com a troca dos Alunos Líderes (que foram indicados pelos líderes anteriores), criamos um sistema de gestão unificado. Se antes cada Líder tinha a autonomia para elaborar ou distribuir as demandas que surgiam e nós professores éramos apenas consultados quando necessário, agora todas as demandas são debatidas com os líderes antes de serem passadas para as suas equipes e tudo fica disponível em um quadro do Trello. Posso afirmar que 2020 foi um ano bom do RP Lab, mas 2021 está muito melhor.

            Como é ter alunos coordenando campanhas e outros alunos? Posso dizer, com toda a certeza, que é um processo encantador. A forma como eles assumem as responsabilidades, entendem as dificuldades e potencialidades dos colegas é ímpar. Confesso que ainda preciso me segurar bastante para não coordenar algumas ações. Debato muito alguns caminhos com os líderes, mas, a não ser que eu veja que o caminho vai resultar em algo desastroso, a decisão do que deve ser feito e como ser feito é do líder, mesmo que eu saiba que aquilo não vai dar certo. Afinal, criamos essa estrutura para que alguns alunos pudessem assumir esse papel e caso algo dê errado, o erro também é um aprendizado. E não tem nenhum problema em deixá-los cometer alguns “erros controlados” que serão debatidos posteriormente.

            Mas isso dá certo? Dos nossos alunos líderes de 2020, dois que tiveram contato com clientes reais foram chamados para fazer parte das equipes internas desses clientes depois que saíram do RP Lab. A Samanttha Neves, que coordenava o núcleo de eventos e atendeu o Conrerp2 na produção do concurso “RP pra quê?”, é membro do comitê de relacionamento acadêmico do conselho. Já o Esdras Villas Boas, que era o Aluno Líder daquela OSC que comentei anteriormente, se formou e hoje é o responsável pelas ações de comunicação da organização.

Como coordenador desse projeto, digo que é muito gratificante dar asas aos alunos para que eles possam criar, gerir e aprender, porém sem deixar de dar o suporte que eles necessitam para se sentirem confiantes nas tomadas de decisões e se tornarem profissionais cada vez mais completos.