Oportunidades e Necessidades no setor de eventos pós-pandemia

Por Marcelo Henrique Souza Rodrigues, Registro 4513

Não há dúvidas de que a pandemia do Coronavírus configurou-se como um veloz catalisador em todas as dinâmicas sociais, com alto impacto nas relações interpessoais e com determinante reflexo na performance das organizações, afinal, o combate a ela pressupõe o distanciamento responsável e uma postura individual preventiva.

Se considerarmos os eventos uma ferramenta estratégica de relacionamento e de conexão entre stakeholders, e se considerarmos que a essência do trabalho do relações-públicas é planejar a gestão destes relacionamentos, se faz necessário e urgente refletir sobre os desafios atuais e futuros relacionados a organização de eventos estratégicos perante a pandemia.

O mercado de eventos foi afetado drasticamente, com enorme redução no seu faturamento, tendo em vista o cancelamento total de atividades já programadas ou o adiamento das mesmas para um momento futuro com condições sanitárias para reunião de pessoas presencialmente; com isso as empresas precisaram renegociar prazos, devolver dinheiro aos contratantes e até mesmo negociar crédito para não demitir funcionários. Infelizmente as perspectivas seguem desfavoráveis tendo em vista as estimativas de que eventos será um dos últimos a se recuperar e performar com indicadores de resultado similares ao pré-pandemia.

Para evitar o cancelamento de algumas atividades previstas elas precisaram passar por diversas adaptações, mas só foi possível a sua efetiva realização devido aos recursos tecnológicos disponíveis e que viabilizaram a interação remota entre públicos. Rapidamente as atividades passaram a ser menores, virtuais e, por vezes, híbridas. O segmento cultural/entretenimento demonstrou em larga escala por meio das lives a popularização de uma forma acessível de consumo de produtos audiovisuais onde marcas, produtores e artistas entregaram a sua audiência, entre erros e acertos, conteúdos atrativos em meio a avalanche de materiais informativos produzidos pela imprensa.

Com todos esforços da ciência, na produção de vacinas, e das entidades responsáveis na elaboração de protocolos de segurança, começamos a observar tímidas iniciativas em alguns países no intuito de testar formatos para eventos presenciais, como o evento-teste ‘Operação Batimento Cardíaco’, realizado na Alemanha, um show numa casa noturna onde todos presentes foram previamente testados e respeitaram o uso obrigatório de máscara fácil e distanciamento de pelo menos 1,5m; ou como o show para 5000 pessoas em Barcelona da banda espanhola de rock ‘Love os Lesbian’ também com uso de máscara e realização de prévia de testes mas sem a restrição de distanciamento e com intensivo monitoramento de todos presentes após as duas semanas do show.

A nossa adaptação à retomada da realização de eventos presenciais prevê do poder público atenção quanto a imunização em massa, item crucial no que tange a segurança das atividades; aos profissionais caberá a responsabilidade de garantir o cumprimento de uma severa etiqueta preventiva para manutenção efetiva dos cuidados com o participante, desde a forma de se convidar, a forma de receber, aos detalhes estruturais de distanciamento, assim como a atenção aos serviços contratados e prestados.

O digital promove uma falsa sensação de ser mais fácil realizar eventos online, em oposição ao real e complexo cenário técnico necessário perante as novas tecnologias. Apesar de sermos da área de humanas, o profissional não poderá apoiar-se à argumentação ‘Não sou de TI!’ para planejar eventos. Há uma necessidade urgente de se estudar, compreender e dominar as ferramentas disponíveis para viabilização de eventos online, o que representa uma oportunidade para que as equipes se aprimorem e atualizem o conhecimento instrumental sobre o tema, de maneira a refletir em resultados estratégicos num cenário favorável futuro.

É inegável que a experiência olho no olho que os eventos presenciais geram é insubstituível, porém, seja no formato online, híbrido ou presencial, para que os eventos continuem cumprindo a sua função estratégica, especialmente aos relações-públicas, devemos investir em nossa qualificação, no desenvolvimento de habilidades sobre o assunto, visando uma postura ativa e propositiva na constante busca por solucionar problemas, sempre comprometidos com o objetivo da atividade.

Há uma nova realidade, não um novo normal, em que se faz crucial a atuação conjunta de todos os agentes da cadeia produtiva unindo esforços para desenvolver projetos e políticas assertivas para recuperação e reestruturação do setor de eventos. Individualmente essa mesma realidade nos demanda uma redobrada atenção profissional para respeitar o bem-estar coletivo de todos que acreditam nessa indústria, tanto por aqueles que consomem os seus produtos (os que frequentam eventos), como por aqueles que dependem dos seus resultados (os que trabalham na área).

RP convidado: Marcelo Henrique Souza Rodrigues

Relações Públicas graduado pela Faculdade Cásper Líbero, Pesquisador em Comunicação, com especialização em Marketing e Comunicação Publicitária. Mestrado em Comunicação na Contemporaneidade. Gerente de Comunicação Corporativa e Eventos na Fundação Cásper Líbero, Professor Universitário do curso de Relações Públicas no FIAM FAAM Centro Universitário.