“Conhecendo o RP”: Elaine Lina de Oliveira

Por Sibele Lopes, Registro 4631
Relações- Públicas, Pós-Graduanda em Marketing Digital.

A nossa entrevistada desta edição é a Elaine Lina de Oliveira, registro 3547, graduada em Comunicação Social – habilitação Relações Públicas – pelas Faculdades Integradas Rio Branco (2004) e pós-graduada (lato sensu) em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela ECA-USP (2006). Foi aluna especial no mestrado de Ciências da Comunicação na ECA-USP durante o ano de 2011. Docente do curso Pós-Graduação em Marketing e da graduação em Relações Públicas das Faculdades Atibaia (FAAT) e do curso de Relações Públicas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), também orienta TCC’s e projetos experimentais. Presidente do Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas, 2ª Região, SP/PR (Gestões 2007-20009 e 2010-2012). Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Relações Públicas e Comunicação Organizacional, atuando principalmente nos seguintes temas: relações públicas, opinião pública, relações com público consumidor; gestão de crises de imagem; reputação da marca, diálogo institucional, organizações e ações de comunicação. Sua linha de pesquisa atualmente versa sobre as interfaces das Relações Públicas e das novas tecnologias na construção da reputação da marca institucional. 

Qual o motivo a levou a escolher a profissão de RP?

R: Tudo começou com um daqueles testes vocacionais pela internet. Eu estava preenchendo um há 40 minutos, já quase terminando, quando a energia elétrica caiu e eu perdi tudo o que estava fazendo. Desanimada em começar tudo de novo, passei a navegar por aquele site – escrito e mantido por um professor universitário – e me deparei com uma lista de profissões. Costumo dizer que tive muita sorte porque a descrição desse professor para a profissão de Relações Públicas foi uma das mais corretas que eu vi até hoje. Se tivesse sido uma daquelas em que se diz que esse profissional “organiza eventos” ou “atua como porta-voz de empresas e políticos” certamente eu não teria dado atenção a ela. Mas não. Ele abordava o viés analítico e de planejamento da profissão e sua forte ligação com a gestão nas organizações, e discorria sobre as disciplinas que seriam vistas no curso universitário, indicando as possíveis áreas de atuação de forma ampla e responsável. Isso mudou tudo. Desisti do tal teste vocacional e passei a pesquisar mais sobre essa profissão, li vários artigos, conversei com profissionais da área, com professores de faculdade e tive certeza: essa era a profissão certa para mim.

Poderia nos contar um pouco da sua trajetória profissional até o momento?

R: Eu ingressei na faculdade aos 24 anos, já casada e com dois filhos pequenos. Já vinha de uma certa trajetória nas áreas administrativas de algumas empresas e, na ocasião do vestibular, eu ocupava um cargo de chefe de exportação numa trading company. Portanto, já possuía uma experiência corporativa razoável. Mas decidi mergulhar de cabeça na profissão escolhida e abri mão do meu cargo para começar como estagiária numa agência de Relações Públicas. Eu estava no 3° semestre do curso e comecei fazendo clipping, mas em poucos meses já estava atendendo algumas contas importantes, sob supervisão direta da executiva principal da agência. Depois de algum tempo fui para uma segunda agência e, da mesma forma, em pouco tempo de estágio me destaquei e fui convidada pelo meu coordenador para atender uma das principais contas da agência – um grande grupo de empresas de engenharia e empreendimentos imobiliários -, e assim fui me desenvolvendo na agência e assumindo outras contas. Foi uma experiência muito rica, e posso dizer que essa segunda agência foi minha principal base de aprendizado profissional. Bom, depois disso atuei em alguns projetos autônomos bem interessantes, como o lançamento de um museu dentro de uma tubulação de esgoto que a Sabesp iria ainda colocar em atividade (foi incrível!); até que abri minha primeira agência de RP, em 2005, e nunca mais parei de empreender. Costumo dizer que pode até faltar emprego, mas jamais falta trabalho para um bom profissional de RP. Do 3° semestre da faculdade até hoje nunca parei de trabalhar com relações públicas – fosse num emprego formal em uma agência, empreendendo, lecionando em universidade (sou professora e orientadora desde 2006) ou atuando no meu Conselho Profissional, respiro RP sete dias por semana. 

Qual foi o trabalho (Obra) mais marcante que você realizou na sua carreira?

R: Bem, para citar apenas um que tenha me marcado, escolho o primeiro Prêmio Opinião Pública que ajudei a organizar – ainda na gestão do professor Fábio França à frente do Conrerp. Eu era aluna do curso de pós-graduação da USP, o Gestcorp, e em certo dia ele nos deu uma aula especial, na disciplina da professora Maria Aparecida Ferrari. No intervalo eu o procurei e me ofereci para ajudar voluntariamente no Conselho e, para minha surpresa, ele me convidou a comparecer na sede na semana seguinte e nem acreditei quando dei por mim e vi que estava na organização daquele que era o maior prêmio da minha profissão, ao lado de um dos meus maiores ídolos desde os tempos da faculdade. Foi incrível! Aprendi muito com ele sobre a profundidade e a ética da profissão. 

O que a motiva a trabalhar como Relações Públicas nas áreas Marketing e Planejamento Estratégico?

R: Sempre acreditei numa sinergia muito grande entre as áreas de Marketing e Relações Públicas e na força que as duas, juntas, imprimem a uma organização. A primeira trabalha pelo produto, pelo negócio em si. A segunda se ocupa da reputação da empresa, por meio do estabelecimento de relacionamentos sólidos com seus diversos públicos. Não se consolida um bom negócio sem boa reputação e vice-versa. Qualquer plano estratégico deve contemplar ações integradas de MKT e RP e eu sempre tive o privilégio de estar envolvida em projetos que integravam as duas áreas e constatar como os resultados eram muito mais efetivos. Como professora universitária dos dois cursos também sempre incentivei os alunos de ambas as áreas a conhecerem as vantagens competitivas que a outra disciplina poderia agregar ao seu plano estratégico. Ao contrário do que às vezes se ouve por aí, as duas áreas não são concorrentes entre sim, mas sim complementares e igualmente essenciais para o sucesso da organização.

Qual foi a situação, relacionada à sua profissão, mais difícil de resolver e como você conseguiu?

R: Como o trabalho de RP nunca é feito sozinho, esse desafio também foi enfrentado em conjunto. Uma vez, quando eu dava aula no curso de RP na FAAT (hoje ‘UniFaat’), a direção informou à nossa coordenação que o curso de RP seria encerrado. Isso mesmo com o resultado excelente que tínhamos acabado de alcançar no vestibular (foi o curso com maior número de inscrições e de aprovados de toda a Comunicação Social, muito à frente do Jornalismo e da Publicidade). Diante do triste anúncio, rapidamente a coordenadora convocou seus professores, entre os quais eu, para uma força tarefa que pretendia reverter aquela situação. Juntos, estabelecemos parcerias com empresas e órgãos da prefeitura para realizar projetos conjuntos com a agência experimental de RP da faculdade e para abrir oportunidades de estágio para nossos alunos; realizamos eventos e debates junto à comunidade e ao empresariado para apresentar a profissão e todos os seus benefícios para instituições dos três setores. Eram realizados também muitos encontros na faculdade entre os estudantes e profissionais de RP de várias especialidades, assim como com ex-alunos da faculdade que estavam bem colocados no mercado, para que eles conhecessem as diversas possibilidades de atuação e se inspirassem. O resultado foi excelente, com enorme repercussão e a instituição voltou atrás na decisão de encerrar o curso, ao menos naquela oportunidade. Anos depois, porém, em 2015, o curso foi realmente encerrado. Dessa vez, a coordenação só tomou conhecimento da decisão da direção depois que o encerramento já havia sido protocolado no MEC. Não houve mais tempo de fazer rp para evitar que o curso de rp fosse encerrado. Em 2018 formou-se a última turma de RP e também aconteceu, em grande estilo, a 12ª e última edição do Encorp – Encontro de Conhecimento em Relações Públicas – evento anual da agência experimental de RP. O evento teve duração de três dias e abertura no Centro de Convenções de Atibaia, com a presença dos presidentes das principais entidades representativas da profissão e do então vice-prefeito da cidade, que lamentaram o fim do curso. Foi sem dúvida o momento mais difícil que vivi na minha trajetória profissional até aqui, mas também o trabalho mais lindo e impactante que realizei com uma equipe incrível formada por professores, colegas do mercado e ex-alunos de todas as turmas do curso. Fizemos história.

Quais são suas expectativas para os profissionais de Relações Públicas no mercado de trabalho em 2021?

R: Vejo boas possibilidades de atuação para nossa área, principalmente nos meios digitais – já que quase a totalidade das comunicações e relacionamentos tiveram que migrar para esses canais e nem todas as empresas estavam preparadas para isso. Vejo ainda muito campo de atuação para o RP em parceria com os RH’s das empresas, a exemplo das iniciativas de employer branding, DHO e comunicação para compliance, por exemplo. As empresas precisam se reposicionar, ou ainda se posicionar mesmo – ‘escolher um lado’ sim, como defende Carol Terra em seus artigos -, frente às grandes causas sociais do momento e para públicos cada vez mais ‘nichados’. Não dá mais para falar para a massa – é basicamente comunicação um a um e ninguém faz isso melhor que o relações públicas.

Para encerrar, qual mensagem você deixa a todos os colegas de profissão?

R: Não perca tempo explicando quem você é. Use-o sendo.