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Todos podem ser voluntários: tem um voluntariado esperando por você!

Por Silvia Maria Louzã Naccache

O voluntariado é a participação de qualquer pessoa em atividades sociais e comunitárias, doando seu tempo, sua energia e seu trabalho contribuindo assim para o enfrentamento da exclusão social, das desigualdades e para a construção de uma sociedade com valores mais humanos. Voluntariado é o exercício da cidadania, da solidariedade, da generosidade e da compaixão. Uma prática onde todos se percebem parte da solução dos problemas e desafios da sociedade.

Existem questões para refletir antes de iniciar um trabalho voluntário. O voluntariado é uma escolha pessoal, individual e realizado com alegria. Questões como: o que gostaria de fazer; quanto tempo tem para doar; quais habilidades deseja compartilhar e ainda, para que causa, com que público deseja atuar devem ser refletidas e respondidas. Não é complicado, não é difícil, é prazeroso e todos ganham com o voluntariado! É uma ação capaz de construir famílias mais felizes, empresas mais saudáveis e comunidades mais inclusivas e sustentáveis.

Em um mundo em constantes e rápidas mudanças há muito espaço para o Voluntariado! Mesmo em momentos tão desafiadores como o que estamos vivendo com a pandemia o voluntariado se adapta, se inova e traz a tecnologia como um aliado. Muitas atividades passaram a acontecer de forma remota, a distância ou on line. É fundamental querer fazer, organizar-se e comprometer-se.

A sociedade tende a cada vez mais a valorizar e reconhecer o trabalho voluntário. Segundo pesquisa Retrato do Voluntariado no Brasil, realizada em 2020 pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social,  a proporção de brasileiros que se voluntariou nos últimos 12 meses é de 53%. Uma porcentagem semelhante se voluntariou para uma igreja ou organização religiosa (44%), e para uma organização da sociedade civil (43%), e cerca de uma em cada três pessoas se voluntariou para ambos (34%). Com o crescimento e amadurecimento dos programas de responsabilidade sócio ambiental das empresas, e também o investimento social privado surgiu também a oportunidade de mobilizar e facilitar para que seus funcionários possam exercer a cidadania e a solidariedade por meio do voluntariado e com isso a organização de programas de voluntariado empresarial. Seja mobilizado por um projeto corporativo, seja por um movimento pessoal, engajar-se em uma causa por meio do voluntariado é transformador, para quem faz e para quem recebe a ação.

Em 28 de agosto se celebra o Dia Nacional do Voluntariado. Momento de comemorar e reconhecer as boas práticas e com isso inspirar e engajar mais pessoas.

Cresci em uma família em que todos faziam voluntariado, meus avós, meus pais e assim foi com meus irmãos e hoje com os nossos filhos. Voluntariado faz parte da nossa vida.

Com minha avó, aprendi que no voluntariado temos que exercitar a empatia! A capacidade de sentir e compreender o outro, mesmo que essa realidade seja tão distante do nosso dia a dia e convívio. Apesar de não ter nenhuma pessoa próxima com deficiência visual, durante anos escreveu livros em braile e com minha mãe voluntariava na Fundação Dorina Nowill.

Minha mãe, formada em 1977 pela ECA USP, em Relações Públicas, e atuou na área até se aposentar,  me apresentou a importância do comprometimento, da responsabilidade sobre a gestão do nosso tempo oferecido, doado para atividades voluntárias. Aos 87 anos ainda é voluntária na Sociedade dos Médicos Escritores – Sobrames SP.

E a filha, também Relações Públicas, formada na Fundação Cásper Libero tem me mostrado como somos ricos em habilidades, energia e como é fundamental colocarmos esses talentos em movimento, doando com alegria para projetos e causas que tocam os nossos corações. Ela atua como voluntária na sua área, na organização Base Colaborativa, e ainda participa dos projetos de voluntariado corporativo na empresa que trabalha. São esses ensinamentos e essas práticas que tem construído o meu voluntariado!

O Voluntário é o indivíduo que enxerga a vida de forma diferente! Alguém que levado pela vontade, assume uma atitude responsável, criativa, comprometida e transformadora perante o mundo. Que percebe o voluntariado como uma oportunidade de gerar as mudanças que deseja para hoje: aqui e agora, para si mesmo e para todos! Mudanças que deixam um legado positivo para as próximas gerações!

Peço desculpas por ter te ofendido

Por Fernanda de Almeida 

Tem acontecido assim: Alguma marca comete um erro na concepção de um produto ou na estratégia de comunicação, o público recebe mal, as reclamações e manifestações de repúdio repercutem nas redes sociais, a empresa pede desculpas. Também acontece com personalidades públicas. Não é preciso citar exemplos, tenho certeza de que todos lembrarão de dois ou três casos nos últimos dois anos.

Quando olhamos cada caso no detalhe, em geral vemos que, do ponto de vista da comunicação, faltou empatia, faltou pensar detidamente sobre como a estratégia de comunicação seria recebida pelos consumidores do produto e pelos diversos grupos sociais. É preciso sim, que as marcas dediquem mais atenção a refletir sobre como suas ações, comunicações e condutas serão percebidas, recebidas e interpretadas pela sociedade, ou esse tipo de repercussão negativa não vai parar de acontecer. É preciso lembrar que a comunicação acontece no contato com o Outro, com a recepção da mensagem, com a forma como essa mensagem o afeta. Para os profissionais da comunicação – e isso vem desde o início da nossa formação – não existe “fui mal interpretado”; existe “não me expressei corretamente”.

Mas esse texto não é sobre empatia. Esse texto é sobre o agente da passiva e as notas oficiais de desculpas que fecham cada um destes casos e que trazem os previsíveis “pedimos desculpas àqueles que se sentiram ofendidos”.

No entanto, quando você pede desculpas àqueles que se sentiram ofendidos, é como se você não reconhecesse, de fato, a ofensa.

É como se você a diminuísse. Desta posição, a marca coloca toda a responsabilidade do fato e suas controvérsias, sobre o ofendido.

Do meu ponto de vista, um pedido de desculpas é preciso ser escrito e falado claramente em voz ativa. Acredito que um pedido de desculpas deve ser dito com todas as letras “pedimos desculpas aos que ofendemos”. Dessa forma, a marca demonstra que houve uma reflexão, reconhece e assume a responsabilidade pelo fato, mostrando-se – com empatia genuína – preocupada em corrigi-lo e em alterar o que for preciso em seus processos, condutas e em sua comunicação.

Por menos notas oficiais que responsabilizam os ofendidos. Por mais notas oficiais sinceras.

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Fonte: https://fernandadealmeida.com/2020/06/27/pedido-de-desculpas/

Era da cooperação

Por Marlene Marchiori

E aí que entra uma liderança mais aberta e colaborativa

Empresas são locais de criatividade, inovação, sendo ambientes que vem cuidando do ser humano e de seu desenvolvimento. Podemos imaginar organizações onde times conectados e engajados se desprendem de suas ideias, evoluindo para novos diálogos que inspiram, transformam realidades?

Empresas são locais para desenvolvimento da identidade humana e estamos certos de que esta afirmativa nos leva a refletir o quando dependemos desta identidade hoje para efetivamente formarmos nossa imagem e reputação na sociedade. Penso que a comunicação colaborativa, pode ser uma das respostas, para os desafios vivenciados hoje no mundo.

Estudo realizado pelo Institute for Corporate Productivity descobriu que as empresas que adotam e recompensam a colaboração têm 5,5 vezes mais probabilidade de atingirem altos níveis de performance em comparação com as empresas que não criam uma cultura de colaboração.


Gosto muito de Stanley Deetz. Trouxemos em 2010, sua abordagem sobre comunicação colaborativa (CC) no livro Comunicação e Organização: reflexões, processos e práticas, exatamente por acreditar nessa evolução de uma comunicação para muito além da informacional.

Deetz, com a CC, vai além de ambientes democráticos nas organizações, os quais fomentam a compreensão das diferenças entre os indivíduos envolvidos no processo comunicativo sem que estes sejam motivados a transformações (DEETZ, 2010). Comunicação humanizada, onde as pessoas pensam, expressam seu pensamento e interagem, constroem conhecimento, reaprendem, se desprendem de suas ideias e por meio das conversações expressem todo o seu potencial criativo. A jornada evidencia o valor da comunicação colaborativa para as empresas. Para que ela aconteça precisamos refletir hoje sobre a forma como nos relacionamos, não negando na relação, a presença do outro.

Comunicação colaborativa implica cruzamento de distintas experiências provindas de diferentes indivíduos, que ao estarem conversando com outras pessoas, se desprendem de suas proposições e se comunicam livremente, pois tem como alicerce a colaboração (DEETZ, 2010).

Essa colaboração visa compartilhar expectativas, conhecimentos e experiências entre os sujeitos para a construção de deliberações inovadoras. Colaboração requer ambientes onde a diversidade de opiniões se dá naturalmente pois os participantes daquele diálogo estão buscando, de forma integrada, resultados, ou seja, proposições que possam levar os participantes a soluções “ganha-ganha”. Emerge do processo de comunicação colaborativa (CC) algo anteriormente não pensado entre as partes. É exatamente esse encontro de ideias novas que para mim, caracteriza o exercício da CC.

Mudança de mindset para tornar o contexto adequado à colaboração, trazendo para a prática estratégias que promovam o diálogo e a cocriação

Esse conceito implica que esses indivíduos, com suas ideias, ao interagirem desprendem-se delas e criam uma nova, ou seja: A + B = C. Estamos indo muito além do consenso, concorda? Dessa forma, a comunicação colaborativa facilita os processos inovadores nos ambientes empresariais por meio das interações, que se revelam no momento em que as pessoas dialogam e trocam ideias. Instauram-se dinâmicas de conversação onde os pontos de vista se alteram, emergindo dessas relações novos pensamentos, ações, processos diferenciados, antes não pensados. 

Nesse contexto, desenvolver o processo de comunicação colaborativa nas organizações requer uma mudança de postura relacionada às interações no ambiente organizacional (DEETZ; BROWN, 2004) que carece atenção e cautela para não serem apenas canais democráticos de comunicação, à medida que essa comunicação busca a promoção de um ambiente livre com a manutenção das diferenças. Assim, evita-se gerar ingenuamente situações de vantagens discursivas, em que as pessoas não compreendem a capacidade persuasiva da comunicação e são influenciadas a tomarem decisões através do senso comum (DEETZ, 2010). 

Desse modo, percebe-se que a comunicação colaborativa se faz essencial no processo de construção de conhecimento inovador. É, portanto, por meio dessa ótica, baseada em uma comunicação livre e aberta que a comunicação colaborativa desafia os indivíduos para uma nova organização, um espaço onde a fala tem valor, assume propriedade e encontra ressonância para juntos criarem novas narrativas que serão únicas, pelas experiências de interação vivenciadas. Talvez o mais legal seja a CC aproximar e gerar a “cola” que mantem as pessoas engajadas a partir das ações que serão vivenciadas e que tem significação, pois se pautam em decisões criativas mútuas.

 

Referências

DEETZ, Stanley. Comunicação Organizacional: fundamentos e desafios. In MARCHIORI, Marlene (org.) Comunicação e organização: reflexões, processos e práticas. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2010.

DEETZ, Stanley; BROWN, Devon. Conceptualizing involvement, participation and workplace decision process. In: TOURISH, Dennis; HARGIE, Owen. Key issues in organizational communication. British Library, 2004. 

DEETZ, Stanley. Developing Free and Open Communication. Belo Horizonte. Dispositivo em ppt. Apresentado durante o curso Strategic and Collaborative Communication no II Congresso da Abrapcorp, PUC MG, dias 22 a 25 de Abril de 2008.

MARCHIORI, M.; BALKO, A. Comunicação colaborativa: um outro olhar sobre a comunicação. Disponível em: http://www.aberje.siteprofissional.com/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=156&ID_COLUNISTA=43. Acesso em: jul, 2020.

Cultura, liderança e solidariedade frente a pandemia

Por Marlene Marchiori

Reflexões sobre comunicação responsável.

Ao enfrentarmos crises passamos por fases: mitigação, preparação, resposta e recuperação, nas quais discutimos em cada ponto de contato as vulnerabilidades (Otto Lerbinger). Sabemos o contexto desafiador que estamos vivendo pelos cuidados sanitários que devemos ter e como garantir o direito à vida. A experiência nos tem demonstrado comportamentos que foram padrões como se fosse um movimento integrado das empresas que foram “obrigadas” a realizarem no curto espaço de tempo, o deslocamento das equipes para trabalho remoto, a reconfiguração das plantas nas atividades consideradas essenciais para garantia da produção, o processo contínuo de informação para equipes de trabalho levando segurança e bem-estar, a redução de viagens e deslocamentos, as reuniões remotas, as pesquisas que colaboraram na tomada de decisão informacional. Observamos também movimentos inovadores, que inspiraram. Esses exemplos demonstram a capacidade das empresas em se reorganizarem e se movimentarem com suas próprias equipes respondendo e inovando em várias frentes. Estamos todos tomando decisões para gerir a crise instalada e certamente as empresas que construírem resiliência serão capazes de sobreviver aos impactos vividos no mundo.

A comunicação responsável, transparente, que leva soluções (Trust Barometer), tornou-se estratégica para que as pessoas possam agir a partir da “voz” da organização. Essa orientação comunicacional, o desenvolvimento de planos de contingência, a presença do líder junto aos seus times, a atitude de ouvir seus funcionários, é fundamental para os times, para o desenvolvimento de uma consciência coletiva e integrada de comportamento, onde o “outro” e não mais somente o “eu” se revela como valor. Levar informação aos familiares de nossos funcionários, cuidarmos daqueles que estão afastados pelo risco, garantirmos a saúde física e mental. Se até agora, ampliamos as relações junto aos clientes, fornecedores, parceiros, governo assim como atitudes solidárias nas comunidades onde atuamos, nos parece que os novos movimentos se darão a partir da intensidade dessa escuta junto a esses públicos para que possamos sair fortalecidos em nossos relacionamentos com stakeholders. É assim que construímos reputação.

Nos parece também que chega o momento de “Reimaginar” (Mckinsey & Company). Caminhamos para um novo momento marcado pelo engajamento, conectividade e ativismo, valorização da transparência e acima de tudo com mais solidariedade e preocupação com o próprio planeta para uma vida sustentável. Cultura é a peça-chave para as empresas se reinventarem. Sermos livres de fronteiras espaciais e temporais. Nessa jornada precisamos fazer pausas para nos reconectarmos, quem sabe criando comitês para imaginarmos o futuro e desenharmos estratégias que nos levem para desafios ainda não vividos nesse mundo complexo, plural, digital e acima de tudo, humano.

Reflexões que compartilho.

Atue nos gaps de informação e transcenda na comunicação

Atitudes e comportamentos são relevantes, presença pró-ativa mitiga riscos e intensifica criatividade para que as conexões sejam nutridas. Mapeie as principais necessidades de informação para construir pontes de significado. Relevância de conteúdo mantém o receptor por perto. Atue com comunicação responsável, curadora da verdade, identificando grandes temas que ao serem tratados revelam o fio condutor da trajetória da empresa. Compartilhar conhecimento de forma presencial ou digital com narrativas que conectam os públicos será vetor acelerador do futuro.

Agilidade e flexibilidade é o resultado de uma força de trabalho altamente engajada. Plataformas internas são mais importantes que canais externos (Gary Grates).

Cuidado com Reputação

Riscos reputacionais impactam. Estamos agindo em várias frentes, assegurando a sustentabilidade da organização. O Plano das Pessoas assumiu prioridade. Com empregados, como estamos preservando vidas e empregos? O que temos feito em relação às suspeitas ou casos COVID-19 confirmados? Como podemos contribuir com o entorno, algo mais a fazer? Sustentabilidade de caixa. Parece que estamos caminhando para além das estruturas formais e padrões de comportamento, cuidados com a saúde e bem-estar físico e mental permanecem. Já estamos observando um olhar mais crítico da sociedade para o comportamento sustentável: que propósito e bem comum estamos promovendo com o trabalho da empresa?

Crises testam culturas organizacionais em seus limites. Viva a Cultura.

Cultura, nosso jeito de ser e fazer, nosso guia, o conjunto de elementos distintivos que lhe dá identidade e personalidade, o núcleo do seu DNA mais autêntico. Essa “cola” ajuda a encontrar os sentidos que solidifica quem somos com a prática da cultura do aprendizado. Informar, comunicar e conectar a partir da prática da consciência coletiva (individualismo perde sentido). Senso coletivo de colaboração e necessidade de proximidade, respeitando o distanciamento social, são percebidos como atitudes relevantes. Gestão humana, empática e responsável. Com a vivência da cultura estaremos vendo em cada atividade a nossa essência, estaremos vendo nossa atitude justificada ao agirmos desta ou daquela maneira e ainda, estaremos nos reconhecendo como grupo.

Transformação: lidere pelo exemplo

Pratique a Liderança Relacional que significa ouvir, dar feedback e, principalmente, reconhecer o que impulsiona e compromete equipes. Fale para mobilizar. Coragem e empatia, são ingredientes de valor. Estimule redes de relacionamento a partir de seu exemplo. Encontre sentidos para cada atitude e celebre pequenas conquistas (o sentido mobiliza a capacidade que o ser humano tem de transformar seus sentimentos). Mostre sua vulnerabilidade e peça ajuda ao time na busca de respostas para esse cenário desafiador. Seja admirado como pessoa, produza soluções práticas viáveis, com adaptabilidade e criatividade. Incentive mudança de mindset para sair da zona de conforto e leve o time a viver a transformação.

Conecte públicos

Conexões dão alma a vida organizacional. Conexão ((faz parte da natureza humana) é o que dá propósito e significado para as pessoas. Aproximar-se dos públicos para ouvir, refletir e aprender, trazendo para discussão as diversas vozes. Coerência em todos os pontos de contato de seu negócio, funcionários são o elo para ampliar as relações.

Enfim, vamos manter presença ativa e consistente para engajamento genuíno com os públicos. Negócios na pandemia e pós-pandemia se inserem em contextos de relacionamentos mais amplos para transformar realidades. Faz sentido agirmos pelo nosso propósito, instigando redes de conexão com públicos, construindo no dia-a-dia nossas atitudes para contribuirmos com essa nova sociedade, na qual temos algumas certezas: todas as nossas atitudes terão consequência e não encontraremos mais sintonia se agirmos de forma individual sem olharmos para o coletivo.

Como PR pode ser fundamental para o turismo

Por Flávia Pacheco

Será que um modo de vida menos urgente vai ser uma das grandes mudanças no mundo pós-pandemia?

A pandemia do coronavírus fez com que um pensamento recorrente surgisse em mente: estamos preparados para gerir uma crise? Nunca é fácil passar por momentos delicados como esse que estamos vivendo, mas há uma regra básica na comunicação em crise: o timing de começar a agir estrategicamente, mantendo os clientes e os parceiros engajados durante todo o período.

Pude acompanhar de perto diversos gerenciamentos de crise nas mais diferentes áreas: saúde, alimentação, produtos de consumo e turismo. Este último posso chamá-lo como sendo o mais resiliente, visto que sempre se ressignifica mediante uma crise, seja por causas naturais, como furacões, tsunamis e incêndios, ou, agora, por causas sanitárias.

É certo que nada se compara ao momento atual e que estamos vendo a comunicação mudar dia após dia. A crise global que atravessamos afetou o livre arbítrio que tínhamos de escolher para onde iríamos e nos impossibilitou de escolher, no caso do turismo, um destino que permitisse a troca de experiências culturais e profissionais. Para tentar compreender o momento e conseguir atravessá-lo sem grandes perdas, é preciso dividir a crise em três fases. No caso da Covid-19, seriam: quarentena, abertura logo após a quarentena e a retomada.

Na primeira fase da quarentena, o turismo foi vetado, bem como grandes eventos. Neste momento, pude perceber como algumas empresas se comportaram e se reinventaram. Umas responderam mais rapidamente à crise ao criarem eventos online, maratonas de lives, tours 360º. No caso do turismo, redes de hotéis e destinos modernizaram e reinventaram suas ferramentas de comunicação com foco no digital. Nunca a produção de conteúdo foi tão importante para manter marca e consumidor conectados: o foco no cliente foi peça-chave da engrenagem.

Um exemplo prático da aproximação com o cliente foram as pesquisas realizadas com os hóspedes para saber quais conteúdos eles gostariam de ver nas redes sociais da rede hoteleira/destino. Esse tipo de ação foi importante para evitar conteúdos que fugissem da ótica “mundo Disney”, mas que ao mesmo tempo trouxesse assuntos relevantes, de acordo com o perfil da rede e, é claro, com tom de esperança com a famosa hashtag “tudo isso vai passar”.

Desde então, vimos um boom pela produção de conteúdo humanizado que mostrasse não só pessoas, mas o propósito de cada marca, tendo sempre em mente que o consumidor/cliente em potencial quer saber quem é você, qual é o motivo da sua existência e o que você enquanto marca está fazendo por ele neste momento tão complicado. Neste momento, é possível enxergar a importância do conceito stay home e dos conteúdos que despertam interesse nas pessoas. Por exemplo, as publicações podem envolver dicas com professores de yoga, dicas dos mixologistas e chefs para serem feitas em casa, além de mostrar a história de cada canto do hotel e como ele está se adaptando para o momento de reabertura.

Na segunda fase, a de retomada com abertura parcial, a comunicação se direciona para o início das vendas, no caso do turismo. Neste setor, podemos perceber um movimento para o turismo local com vendas de pacotes antecipados, sem saber quando, de fato, o mercado irá reabrir, sem contar nas facilidades de pagamento e possibilidades de cancelamento.

Durante a fase 2, é de extrema importância estudar e pesquisar sobre o seu nicho, ou seja, conhecer realmente quem é o seu público, pois é nele que a comunicação da sua marca deve focar nesta retomada. A grande aposta para o setor de turismo é que, em um primeiro momento, o foco vai ser viagem doméstica, ou seja, dentro do próprio país: em um primeiro momento, serão as viagens que podem ser feitas a carro e, em um segundo momento, de avião.

A busca, especula-se, vai ser por destinos ligados à natureza e ao bem-estar, onde possamos estimular o contato entre ser humano e natureza, gerando conexões. Vamos passar a valorizar ainda mais o turismo da experiência, em que o verdadeiro luxo está em aproveitar cada momento gerando recordações.

Além de focar no turista que mora na região, outro público que deve constar no planejamento estratégico é o assíduo, ou seja, aquele que já conhece e tem afinidade com a sua marca, pois ele vai fazer a melhor propaganda: o “boca a boca” garantindo que o local está seguindo os novos protocolos de segurança sanitária.

A última fase é a retomada total, quando os hotéis, destinos e atrações turísticas estiverem liberadas para receberem visitantes, é claro que com as novas regras, além dos voos começarem a operar em uma frequência melhor e maior. É claro que a pós-pandemia é incerta e que ninguém tem uma previsão exata do que vai acontecer. Tudo que temos agora são suposições. Por isso, ter uma comunicação bem alinhada é fundamental.

O mundo vai atravessar uma crise sem precedentes e, por isso, vai ser importante a marca traçar um planejamento estratégico que identifique os públicos que foram menos impactados e que estejam dispostos a viajarem o mais rápido possível. Neste momento da retomada, a comunicação de cada empresa do setor do turismo vai precisar trabalhar duro para mapear e lançar ações atraentes, visto que os clientes em potencial vão ser mais exigentes em suas escolhas.

Além de realizar mudanças e de se adaptar a uma nova realidade, a marca precisa ter em mente algumas perguntas para começar o seu planejamento: qual atividade de relações públicas quero implementar? O que meu cliente procura de fato? Mais que simplesmente encontrar uma forma de recuperar e atrair clientes, é saber o que seu público precisa, de fato.

O mundo pós-coronavírus vai formar consumidores mais antenados, exigentes e preocupados com o mundo e com a responsabilidade, principalmente social, de cada empresa. Por isso, como profissional de relações públicas, separei algumas dicas baseadas nos quatro pilares da área – mídia espontânea, mídia paga, mídia compartilhada e mídia própria da marca:

– Traçar todos os possíveis nichos que podem trazer viajantes leais ao seu hotel/destino;

– Focar em produção audiovisual com conteúdo que mostre mais que um hotel, porém uma experiência: mostrar o valor da marca, o seu propósito;

– Liberar conteúdo gratuito para o seu público, como webinars, treinamentos e workshops;

– Usar as mídias sociais para mostrar os novos padrões de segurança adotados e mudanças na estrutura para a reabertura;

– Ser sempre transparente com o público;

– Criar eventos online;

– Estimular o endomarketing: engajar personagens do próprio hotel ou destino, contribuindo com o seu trabalho e sua experiência;

– Criar gifts úteis para distribuir aos hóspedes/turistas na retomada, por exemplo álcool em gel com embalagem do próprio hotel.

Para finalizar, fica o meu questionamento: será que o “slow movement”, ou seja, um modo de vida menos urgente, será uma das grandes mudanças no mundo pós-pandemia e, principalmente, no turismo?


Fonte: https://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2020/07/03/como-pr-pode-ser-fundamental-para-o-turismo.html

Reflexões e ações de Relações Públicas nas 3 fases da crise Covid-19

Por Flávia Pacheco

Regra básica de comunicação em crises: começar uma estratégia no momento inicial, levando em consideração suas fases, mantendo clientes e parceiros engajados em todo processo, para quando o novo normal chegar

Acompanhei e executei diversos projetos de comunicação de crise nesses 25 anos de carreira,da área farmacêutica à alimentação e de produtos de consumo a turismo. Vamos focar no mercado de turismo que, historicamente, já passou por muitas crises financeiras e naturais, como furacões, incêndios e maremotos. Trago algumas reflexões de comunicação que reuni nos últimos tempos desse mercado e que também podem ser utilizadas em outras áreas.

Turismo é uma área altamente suscetível a mudanças e também muito resiliente. É claro que nada se compara ao momento atual, uma crise global, sem precedentes, que afeta princípios básicos da liberdade de ir e vir e a troca de experiências culturais e profissionais, exatamente o que se busca quando se viaja. Vamos dividir a comunicação durante a crise do COVID-19 em três fases: quarentena, abertura pós-quarentena e retomada.

Fase 1 – Quarentena
Em todas as áreas, os eventos presenciais deixaram de ser uma atividade possível, tanto quanto as atividades de experimentação (viagens). Observei várias redes de hotéis e produtos de turismo usarem e reinventarem suas ferramentas de comunicação para o mundo digital. O pensamento geral foi o foco nos clientes e viajantes que sonham com destinos maravilhosos, tão logo seja possível. E, assim, a comunicação se manteve aberta.

Um exemplo foi a rede de hotéis One&Only, que fez uma pesquisa com seus clientes via email, perguntando quais conteúdos gostariam de receber e ver em suas mídias sociais próprias e cerca de 80% responderam que não gostariam de ver fotos e vídeos de locais paradisíacos, pois se sentiriam frustrados por não poder estar lá. Com isso, o O&O apostou em conteúdos humanizados mostrando pessoas e personagens dos hotéis nos destinos ao redor do mundo onde atua. Os materiais produzidos sempre estavam relacionados a #stayhome, e traziam temáticas, como: dicas dos professores de Yoga, mixologistas, sommeliers, chefs, wellness experts, hoteliers e artes plásticas, que ficam expostas na galeria de arte do hotel.

Fase 2- Pós-quarentena, início da retomada com abertura parcial
Para muitos serviços e produtos que não puderam ser vendidos e desfrutados online durante a quarentena, caso do turismo, esse é o início do caminho para as vendas. Vários países da Europa e Estados Unidos já se encontram na fase de reabertura gradual. No Brasil, existe um movimento de vendas locais, possivelmente para o feriado de Corpus Christi, em junho. Além disso, diversos hotéis, aéreos e produtos de turismo começaram a vender antecipadamente,  desde o princípio, sem saber quando o mercado abriria, com preços especiais e possibilidade de cancelamento sem multa, entre outras facilidades.

Para uma recuperação mais rápida nas vendas nessa fase, o ideal é não presumir que seus clientes serão os mesmos de antes da pandemia. Será importante priorizar o público-alvo mais propenso a viajar primeiro. Pesquise e entenda quem será seu cliente, seus entraves e motivações.

Nesse momento, por motivos de saúde e malha aérea, o principal público a ser trabalhado apósa crise é o público doméstico, ou seja, pessoas que moram na região. Os estrangeiros que vivem no local também são ótimos primeiros clientes. Eles farão o “boca a boca” sobre as condições da abertura, segurança e vão compartilhar imagens do destino, hotel ou atração turística para seus amigos e familiares. Exemplo: em Miami há muitos brasileiros locais que já estão falando para quem mora no Brasil sobre a situação e dividindo suas experiências na abertura.

Outro cliente prioritário é o assíduo e recorrente – pessoas que conhecem o destino, têm uma história com o local e se sentem mais seguros ali. Esse é o público mais propenso a retornar primeiro e mais rapidamente. Por exemplo, quem já passou várias férias na Bahia ou Ceará.
Atividades e promoções focadas nesse público, com o objetivo de encorajar clientes que já estiveram várias vezes no hotel/destino, podem ser um excelente primeiro passo para gerar reservas na retomada.

Um tipo de cliente que despontará na retomada será o chamado Resiliente. Esse público talvez seja formado de pessoas mais jovens, ao invés de terceira idade ou famílias, já que esses poderão ter mais receios em viajar, em um primeiro momento.

Fase 3 – Retomada total
Uma vez que a quarentena tenha chegado ao fim e destinos, hotéis e atrações turísticas tenham sido liberados, mesmo com restrições e regras, e estejam recebendo voos internacionais, começa a fase de retomada. No entanto, apesar dessa ser uma crise com características semelhantes a furacões em destinos turísticos, ela se diferencia pelo contínuo perigo de recontaminação (até termos uma vacina) e pela crise financeira que certamente assombrará o mundo por um bom tempo, como resultado da quarentena.

Nesse momento é importante entender quais serão os públicos mais e menos afetados financeiramente e responder a eles de maneiras distintas, sabendo que todos, em algum momento, vão querer viajar, além de terem conhecimento de que as marcas vão focar seus esforços neles.

O período de abertura total de todos os mercados mundiais poderá ser o mais competitivo da história e especificamente na indústria de turismo, primeiro para os destinos nacionais e, em seguida, internacionais. O motivo é que as marcas, países e negócios que precisaram de fôlego econômico para aguentar o período de baixa, vão trabalhar duro para reconstruir suas economias e fluxo de caixa.

Mas não se enganem, será um mundo e uma indústria diferente. Ao mesmo tempo que alguns negócios vão fechar, outros poderão emergir durante e pós-crise, principalmente aqueles que aproveitaram o momento para realizar mudanças e se adaptar à nova realidade.

Agora é o momento de se preparar e planejar as atividades de promoção da Fase 3, mesmo sem visibilidade de quando essa abertura total se dará. Já temos uma idéia, mas ninguém sabe com certeza. No caso do turismo internacional, depende de muitos fatores como voos, segurança sanitária dos estabelecimentos, preços e promoções.

Qual será a promoção que você vai criar, qual atividade de relações públicas você vai implementar? Tenha em mãos campanhas prontas que possam ser testadas digitalmente e adaptadas rapidamente.

Use esse tempo para repensar como construir uma estratégia de recuperação sustentável para atrair de volta clientes, mas também atenuar impactos negativos da pandemia, como mostrar as boas práticas e atividades responsáveis das marcas, ter uma estratégia para comunicar as regras de limpeza e segurança COVID-19 FREE ou campanhas que visem a empatia e os cuidados uns com os outros, além das ações sociais, sustentabilidade e cuidados com o meio ambiente.

Certamente teremos mais consumidores preocupados e conscientes com o mundo ao redor, então, quem traçar um plano estratégico nesse viés para a retomada, terá uma vantagem a longo prazo.

Concluo com uma reflexão: aqueles que trabalharam rapidamente e de maneira inteligente nas três fases – pré, durante e pós – vão liderar a caminhada. Não digo corrida, pois o mundo estará mais lento (na minha opinião), ainda produtivo, mas menos frenético e urgente. Bom, para aqueles que defendem o “slow movement” como modo de vida, aqui fica o questionamento: será que essa uma das grandes mudanças no mundo pós #pandemia2020?

Sobre Flávia Pacheco
Formada em Relações Públicas pela Fundação Cásper Líbero, em São Paulo, e especialização em comunicação e marketing na NYU – New York University, em Nova York. Flávia iniciou sua carreira no Departamento de Relações Públicas da Scania Brasil, em seguida trabalhou para a agência internacional de Relações Públicas Burson Marsteller Brasil e em 1995, morou em Nova York, onde trabalhou no Departamento de Marketing do Lincoln Center of Performing Arts. De volta ao Brasil, ingressou na Câmara Americana de Comércio do Brasil, em São Paulo, e em 1999, abriu sua própria agência em São Paulo, a Spoke. Ao longo dos últimos quase 20 anos, a Spoke já atendeu aos mais diversos segmentos como indústria farmacêutica, de alimentação, saúde, gastronomia, tecnologia, congressos internacionais, ONGs e terceiro setor.
Há mais de 10 anos se especializou no mercado de lifestyle e turismo nacional e internacional, mantendo com sucesso marcas de luxo em seu portfólio, entre eles o departamento de turismo de Bal Harbour e o Shopping Bal Harbour, em Miami, e a rede de hotéis One&Only Resorts. Flavia também é publisher de um canal de conteúdo de Miami, o Inside Miami TV.

Gestão algorítmica dos conteúdos no Facebook impõe novos desafios aos profissionais de Relações Públicas

Há cerca de 5 anos a rede social Facebook era, por excelência, um dos principais canais de interação entre marcas e seus públicos no ambiente digital. O cargo de analista de mídias despontou e, com ele, surgiram novas possibilidades de atuação aos relações públicas e demais profissionais do campo da comunicação.

Algumas marcas verdadeiramente moldaram personalidades digitais ao investirem em estratégias criativas e com storytellings próprios. A Prefeitura de Curitiba despontou em 2014 como uma das fanpages mais inovadoras ao integrar humor e serviço público. A gestão do Rio de Janeiro não ficou atrás e engatou um noivado com Curitiba, levando os seguidores à loucura. A brincadeira culminou em uma campanha de doação de sangue que ocorreu em ambas as capitais, revelando o bom uso estratégico do engajamento viral destas mídias e a possibilidade que elas ofertavam de construir relacionamento organicamente.

Mas, em janeiro de 2018, Mark Zuckerberg anunciou em seu perfil oficial o que especialistas já vinham alertando: o algoritmo passaria a priorizar, na linha do tempo, as postagens dos contatos dos usuários em detrimento das publicações de fanpages. O argumento oficial do CEO foi que o público rejeitava o aumento da veiculação de publicidade no feed de notícias. “Uma vez que há mais conteúdo público do que posts de amigos e da família, o feed afastou-se da coisa mais importante que o Facebook pode fazer: ajudar a nos conectarmos uns com os outros”, justificou. No ano seguinte outra grande decisão passou a afetar a gestão das marcas nas mídias de Zuckerberg: o fim da visualização pública dos likes no Instagram.

Ambas as decisões foram anunciadas pelo Facebook sob a narrativa da preocupação com o bem-estar público, mas, na realidade, ocultaram o interesse maior da corporação: o conteúdo gerado pelos usuários.

Autores já denominaram a era contemporânea como a do capitalismo de dados e, nesse sentido, é mais rentável às big techs que seus usuários gerem informação ao postar nas redes ao invés de apenas consumirem conteúdo gratuito das empresas. No novo modelo o Facebook ganha duas vezes: a maior interatividade entre amigos e familiares na rede gera mais conteúdo que, por sua vez, possibilita o mapeamento de comportamento dos consumidores para serem monetizados.

Em outras palavras, as marcas perderam espaço de diálogo orgânico com seus stakeholders nas mídias digitais na medida em que o fortalecimento deste relacionamento deixou de favorecer os objetivos de negócio do Facebook. Se a plataforma possibilitava que outras empresas lucrassem graças às suas ferramentas, agora só permite que este mesmo relacionamento se estabeleça caso retenha uma parcela destes ganhos.

Assim, a rede que um dia modificou as dinâmicas sociais e estratégias de mercado, agora impõe novas necessidades de mudanças, porém mais restritivas e desafiadoras. Em fevereiro de 2018, logo após a nota de Zuckerberg, a Folha de São Paulo anunciou o fim do uso do Facebook como plataforma de divulgação de notícias e criticou as medidas da companhia ao alegar que a nova postura favorece a disseminação de fake news.

A realidade contemporânea, na qual as principais formas de comunicação e interação estão restritas à gestão e interesses das big techs, impõe mais obstáculos e exige mais inventividade dos profissionais de mídias digitais das marcas. Tal restrição é um desafio ainda maior no que diz respeito aos pequenos negócios, já que não contam com recursos financeiros para enfrentar os oligopólios concorrentes que investem milhões em anúncios no Google, Facebook e Instagram anualmente.

A análise deste cenário revela que, mais do que nunca, será exigido do analista de mídias as habilidades técnicas do campo de business intelligence e a inventividade para entender a lógica de construção dos algoritmos, com o objetivo de encontrar formas de driblá-los, ou então, de beneficiar-se a partir deles.

 

Camila Acosta Camargo
Professora do curso de Relações Públicas no FIAM-FAAM Centro Universitário, mestre pelo programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e bacharel em Relações Públicas pela mesma instituição. Integra o Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, onde participa atualmente de estudos sobre o trabalho de jornalistas na mídia alternativa. É Ad hoc do Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas (CONRERP 2ª Região). Atua profissionalmente com foco em comunicação para projetos sociais, é responsável pela comunicação da ONG Instituto Saúde e Sustentabilidade e é co-fundadora da consultoria Eixo Social.
Contato camila.acosta.camargo@usp.br

E viralizou… Por Manassés Sato.

”Para uma tecnologia de sucesso, a realidade deve ter prioridade sobre as relações públicas, pois a Natureza não pode ser enganada”. Richard Feynman.

Quem nunca ouviu falar sobre o tipo de vírus ‘Cavalo de Tróia’?

Famoso por infectar sistemas da computação de modo geral, é conhecido por responder pelo ‘primeiro estágio de infecção’ de dispositivos digitais, inclusive smartphones. E tem – como ‘método’ – manter-se oculto enquanto baixa e instala ameaças mais robustas em notebooks e computadores – até os de grande porte. Entra – via rede – e mantém-se invisível, aproveitando as vulnerabilidades dos navegadores então utilizados para ‘transmitir uma praga’ para executar delitos e roubar arquivos enquanto a vítima realiza suas atividades cotidianas… sem nada perceber.

Chamo a sua atenção por conta da mudança repentina no cotidiano das pessoas no mundo todo em função do coronavírus. O que isso pode gerar nas relações? Como as relações públicas e institucionais são e serão afetadas.

Pode-se observar, em primeiro lugar, a mudança do nosso comportamento em relação à rotina, a qual – forçadamente – nos mostra a (in)significância dos nossos hábitos relacionados à nossa real dependência dos media, nos influenciando física, mental e até mesmo espiritualmente. Somos seres que nos adaptamos às intempéries da natureza e que, também, temos o poder de nos reprogramar… Mas, diferente dos dispositivos digitais, não somos máquinas ‘exatas’.

Então, pensemos: o que nos distancia? Um vírus? O que invade as nossas máquinas e o nosso corpo?

Invisíveis… não atentamos que podemos ser, nós mesmos, os próprios vírus… pois enquanto perto estamos distantes. E… agora, uma vez distanciados, não queremos estar perto?

Devido ao ‘afastamento social’ não nos desligamos – porque os meios de comunicação interpessoal estão presentes; os celulares, computadores e notebooks ligados à rede… e as ‘mídias digitais’ a que estamos conectados, as quais são, quase que obrigatoriamente necessárias para a manutenção (até do trabalho) neste período.

Na era digital em que vivemos, toda aproximação profissional tende a se prolongar ‘institucionalmente’, influenciando cada vez mais as pessoas a estarem aptas na utilização de equipamentos e aplicativos que visam incrementar seus negócios e aproximar públicos-alvo dos negócios a fim de movimentar a economia, investindo em novas tecnologias deste momento ‘4.0’.

E acrescento mais um viés à questão… Há dois grupos de pessoas nesta crise; um tem ‘meios’, mídia… e transmite. Outro, só recebe…

Isto faz lembrar o tempo dos MCM monologais… O meio acadêmico precisa discutir isto.

Manassés Sato é relações-públicas com experiência em relações institucionais nos setores público, privado e, também, no terceiro setor. Acumula, ainda, experiência de consultoria nas áreas administrativa e comercial para médias e grandes empresas, entidades de classe e sindicatos patronais, sob os aspectos físicos, jurídico, econômico e ambiental.

Saber se comunicar é uma ferramenta muito importante em tempos de crise.

Estamos vivendo algo que não está nos livros, pois nunca passamos por uma pandemia mundial com a máquina da internet a um clique de (quase) todos. Hoje todos temos voz e, mais do que isso, hoje (quase) ninguém tem controle de onde sua voz pode chegar. Mas não pense que este é um desafio apenas dos meros mortais: todos os dias, grandes líderes estão nos mostrando a importância de saber se comunicar.

As vezes pode parecer que não, mas cada um de nós é responsável direto pelo tom e pela maneira que escolhemos nos comunicar. Uns usam como estratégia, outros por pura desinformação, mas a verdade é que todos os dias temos assistido declarações que geram cada vez mais caos – exatamente o que não precisamos agora.

É na hora mais difícil que a boa comunicação mostra como o seu papel vai muito além do “marketing”. Estamos falando sobre reputação, sobre como as empresas serão lembradas quando tudo passar, sobre como um de nós contou com suas palavras o momento mais complexo dos últimos tempos. Mas, mais do que isso, estamos falando sobre como cada um de nós contribuiu para que a comunicação trouxesse boas ideias, boas ações e espalhasse soluções e não mais problemas.

É preciso entender que não é correto simplesmente falar o que pensa, pois não vivemos sozinhos e nossas palavras têm impacto e geram ações e reações. O mundo não é só seu, ele é de todos nós. Está longe de ser uma tarefa fácil, mas precisamos urgentemente rever as nossas comunicações. Dos tweets descompromissados, passando pelos áudios enviados em grupos (que nunca serão 100% particulares), a vídeos polêmicos. Vamos nos comprometer com o que comunicamos. Isso é fundamental para passarmos por tudo isso.

Se comunicar bem é uma arte e se você achou que esse texto era só sobre o Presidente do Brasil, enganou-se. Esse texto é sobre todos nós.

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Guilherme Alf é Relações Públicas, multiempreendedor e idealizador do coletivo Todo Mundo Precisa de um RP.

 

Sutilezas e grosserias na comunicação: A escolha é sua!

Por Andrea Nakane

Os ambientes corporativos por si só são locais de intenso convívio social, no qual a comunicação é essencial para uma performance plena, tanto do ponto de vista individual quanto coletivo.

A comunicação nos permite a conexão com o outro, e vai muito além, ela pode gerar relacionamento.

O sociólogo francês Dominique Wolton afirma que “Informar não é comunicar!”, já que não visa diretamente estabelecer alianças.

A escolha dos meios torna-se vital para a propagação da comunicação. É preciso identificar por quais veículos conseguiremos atingir pessoas alvos, adaptando-se as suas especificidades para que a mensagem siga sem ruídos.

Além disso, a seleção de palavras e dos gestos torna-se fundamental para lavrar a compreensão e unir interesses e esforços.

As palavras, nãos só representam significâncias, elas traduzem muito mais. Refletem estilos e sinalizam crenças e valores humanos, denotando a sua identidade.

Repertórios vastos com vocabulários ricos permitem uma facilidade de maior expressão. Porém, como tudo na vida, há o outro lado: as escolhas inadequadas das mesmas, além de prover incompreensões pode afugentar interlocutores.

Em uma Era em que o próprio avanço tecnológico alardeia o tempo das comunicações, vivenciamos embates, confrontos e violências verborrágicas e em muitos casos, o silêncio, denotando desprezo e menosprezo pelos pensamentos dos outros, campo infértil para o diálogo e o bem viver social.

A triagem das palavras está interligada ao contexto da inteligência emocional e acaba por si só revelando muito da personalidade de cada um de nós.

As palavras utilizadas para transmitir mensagens, pensamentos, orientações, sentimentos e até mesmo ordens carregam muito de nós mesmos. São capazes de nos identificar e corroborar com a imagem que nos farão ser percebidos pelos outros.

Com essa lógica, é necessário muita cautela e responsabilidade com o uso das palavras.

Independente dos nossos cargos, posições empresariais e/ou governamentais a observação natural e zelosa com a articulação e empoderamento das palavras, da maneira como serão expressadas tendem a tornar-se um ímã de atratividade ou de ojeriza.

As palavras em uma simbologia simples podem ser comparadas a peças de um quebra cabeça. Ao unir cada pedaço estamos criando uma visão que deverá ser respaldada no contexto que está inserida.

Há espaços, lugares e juízos institucionais que demandam postura e compostura que podem até divergir da sua configuração, mas exigem respeito e empatia pelo coletivo.

E isso não tem indícios de falta de autenticidade, pelo contrário, está carregado de uma metanóia, uma verdadeira mudança de mentalidade, onde o egocentrismo cede a vez para a harmonia e civilidade em grupo.

É mais que uma estratégia comunicacional sagaz. É uma decência e elegância colaborativa, que diz muito sobre nossas intenções e propósitos.

Por isso muito cuidado!

A escolha sempre será sua… assim como as consequências da mesma.

Usemos as palavras como luzes e não trevas!

O mundo precisa de um tempo de delicadezas, já que as grosserias e perversidades – na atualidade – dominam planaltos, megalópoles, organizações, poderes e até lares.

Tudo passa… contudo, as palavras mesmo em uma oratória falada, que o tempo e o vento, poderiam levá-las para longe, deixam marcas, cicatrizes não só nas memórias, mas também, nas almas e nos corações, mudam posições e apoios, desagregam e podem acabar de vez com reputações de baixa probidade.

Via PromoView

Mascotes: Mais que uma imagem, uma representação de um negócio

Cada vez mais percebe-se o movimento de personificação das organizações e marcas, com o intuito de gerar uma aproximação, com características mais emocionais com seus diversos públicos, já que o ambiente mercadológico por muito tempo foi percebido como algo gélido, sem envolvimento real com as demandas humanas.

São muitas as ações vinculadas a essa estratégia e uma delas que tem se projetado com mais ênfase, até por estar associada aos estímulos sensoriais da imagem é justamente a criação de um mascote.

A origem do vocábulo mascote vem do termo francês ‘mascotte’, do título da ópera La Mascotte, do compositor Achille Edmond Audran.

Na narrativa, uma jovem camponesa é sinônimo de sorte, servindo-a como um amuleto para seus familiares. Com o passar dos anos, a utilização de uma mascote tem sido a representação de um talismã, algo que dá sorte, que fortalece a quem está associada.

A mascote pode ser considerado como uma personagem imagética, que agrupa características em sintonia perfeita aos valores e especificidades de uma marca, uma empresa, organização não governamental ou evento.

Muitas vezes a mascote não necessariamente tem ligação com a logo de uma companhia e/ou projeto, mas consegue ser reconhecida como tal devido ao forte carisma que encanta o público.

Algumas mascotes são verdadeiras porta-vozes, referências diretas de uma marca e/ou empresa, se tornando atemporal e propiciando uma forte aliança com os públicos de interesse.

Já imaginou uma edição dos Jogos Olímpicos ou Copa do Mundo da Fifa sem os mascotes representativos do país-sede?

Nesse caso, além do reforço identitário, acaba também tornando-se um item importante fomentador de receitas, já que pode ser licenciado e dessa forma garantir um valor adicional nos cofres de comitê organizador, e, em megaeventos, cada centavo, realmente faz toda a diferença e não deve ser desprezado para uma gestão orçamentária eficiente e eficaz.

Algumas marcas já bem consolidadas no mercado tem no uso maciço de seus mascotes um importante componente de comunicação e muitas vezes o usam como seu principal alicerce de empoderamento humanista de sua relação com seus clientes.

Daniel Coelho, da Mascotee, uma agência especializada na criação de mascotes e ilustrações profissionais (www.mascotee.com.br), afirma que “A procura pelo serviço tem aumentado consideravelmente nos últimos meses. Segundo ele, na maioria das vezes, seus clientes contratam o serviço de desenvolvimento de mascotes profissionais para se destacar no mercado, uma vez que a concorrência é cada vez maior, assim como a exigência dos clientes que buscam produtos e serviços com mais valores agregados. Em geral, os mascotes são utilizados em peças publicitárias, mídias sociais, rótulos e até mesmo brindes e fantasias para interagir com seus públicos.”

Seus clientes buscam justamente esse componente que agrega valor e em muitas ocasiões humaniza a estrutura organizacional, tanto do ponto de vista externo quanto do interno.

E há ainda a possibilidade de um mascote tornar-se símbolo maior de um mercado ou até mesmo de uma sociedade. Não é muito comum, mas pode acontecer…

Quer um exemplo? Papai Noel… sim.. o Bom Velhinho do Natal.

Foi a mais famosa marca de refrigerantes do mundo, a Coca-Cola, que criou a imagem do amável velhinho, vestido de vermelho, baseando-se em tradições antigas. Até então ouvia-se histórias sobre São Nicolau Taumaturgo – um arcebispo turco. São Nicolau tinha o costume de ajudar pessoas pobres da cidade de Mira durante a época do Natal colocando moedas de ouro nas chaminés de suas casas.

Foi o ilustrador Haddon Sundblom, o contratado pela empresa para desenvolver anúncios com a imagem de São Nicolau, desconhecida até então.

Para obter inspiração, Sundblom recorreu ao poema de Clement Clark Moore, de 1822 “A visit from St. Nicholas” (“Antes da véspera de Natal”), que evoca a imagem de um Papai Noel afetuoso, bonachão, feliz e muito humano.

Depois dessa ação, a imagem foi incorporada no mundo inteiro como símbolo da tradicional festa cristã.

Essa história retrata bem até onde os resultados originários de uma mascote podem alcançar, fomentando uma relação intensa, que mexe sobretudo com as emoções, que propicia uma conexão profunda e empática.

Vida longa aos mascotes e suas associações muito além da lógica!

Via PromoView

Assim foi a Abertura dos Jogos Pan Americanos de Lima

Lima, capital do Peru, durante as próximas duas semanas, será a meca dos esportes nas Américas, pois está sediando a XVIII edição dos Jogos Pan Americanos, reunindo 41 países participantes.

A abertura dos jogos, intitulada Alucina Peru, ocorreu no Estádio Nacional de Lima, com a força de trabalho de 15.000 voluntários que ajudaram a desenvolver uma performance, que mesmo sendo simbólica e protocolar, vem se tornando uma vitrine promocional do país.

E a nação fez bonito, trabalhando com ícones da sua rica cultura, valorizando suas crenças, explorando sua musicalidade, instrumentos singulares, cores vibrantes e diversidade rituais indígenas. A nação sabe que está na moda no imaginário mundial e explorou sua representatividade milenar, sua gastronomia premiada, suas paisagens de tirar o fôlego, literalmente até pela sua altitude e seu artesanato esplendoroso.

A própria homenagem realizada aos países que integram essa edição foi feita por meio da transfiguração das bandeiras nacionais dos mesmos em ponchos estilizados. Um deslumbre só! Fiquei de olho no poncho brasileiro… confesso!

Todo o roteiro da cerimônia foi centralizado na figura de uma montanha onipresente que foi alicerce para uma viagem atemporal de histórias, contos e tradições do Peru, quase sempre associadas aos esportes e transmitindo a convicção que sem passado, o futuro simplesmente não existiria, sendo por isso, importante saudar e respeitar toda a cronologia dos nossos antecedentes. O fundo da mesma foi base de projeção mapeada em diversos momentos integrando-se de forma perfeita as etapas apresentadas, utilizando de forma exemplar a pujança tecnológica da atualidade.

Não existiu luxo, a simplicidade foi a tônica no figurino, nos adereços e adornos cenográficos, já que bem sabemos o quanto é custoso todo esse processo de sediar um megaevento ( para essa edição o valor divulgado para todo o projeto ficou em US$ 1 bilhão e 200 mil). É notório que muitas vezes o orçamento que acaba sendo dirigido a essa etapa das cerimônias de abertura e encerramento é bem restritivo, mas Lima demonstrou – inicialmente – que com criatividade e foco é possível entregar uma experiência memorável, com muito orgulho e alegria.

Um dos momentos mais marcantes foi justamente a execução do hino nacional do Peru, que contou com a interpretação de 49 bailarinos. Assim como a entrada de cavaleiros e seus animais em uma execução coreográfica belíssima. Não gosto do uso de animais em espetáculos, sou mais hodierna e cautelosa com o bem estar dos bichinhos, mas o efeito foi surpreendente e a sensação foi que até os cavalos da raça Paso estavam orgulhosos dessa participação. Aliás essa sensação também era visível em todos os semblantes dos voluntários e nativos presentes na cerimônia, é a o high touch que faz toda a diferença nos eventos.

Na entrada das delegações, vale comentar a inovação brasileira: como porta bandeira, a dupla de velejadoras, Martine Grael e Kahena Kunze, medalhistas olímpicas de ouro, teve a honra de assumir essa missão e ao entrar já foram disruptivas, já que Kahena carregou a colega nos ombros por alguns metros. No meio de seu avanço no percurso, a delegação ainda ensaiou uma coreografia com todos os seus membros ressaltando a alegria e entusiasmo do povo brasileiro.

Na tribuna de honra do local, os políticos e autoridades desportivas estiveram presentes, assim como as vaias, que já se tornaram participantes ativas dos grandes eventos, já que acabam possibilitando em tempo real a demonstração de insatisfações e contrariedades com os rumos que a classe dos gestores e parlamentares acabam por liderar. Sem dúvida alguma preocupação presente na atualidade e que não vislumbra solução, a não ser a oriunda dos políticos em honrar com ética e respeito os cargos que ocupam.

E não seria nada mau que os mesmos, sobretudo das Américas do Sul e Central, investissem mais no apoio aos esportes como fonte de educação e civilidade coletiva, já que isso poderia reverter – a curto e médio prazo – em um cenário mais justo, saudável e promissor. O esporte promove o conflito saudável, a cultura de paz e em meio de tantas intolerâncias e adversidades seria um alvo de convergência propulsora de descargas de energias, onde todos sairiam vitoriosos.

Agora vamos torcer por performances atléticas que farão nossos olhos se encantarem e nossos corações pulsarem mais fortes. Desejamos boa sorte a todos, mas em especial ao Brasil, que possamos – ao menos – manter o mesmo patamar dos últimos rankings dos jogos pan americanos, quando conquistamos o 3º lugar das nações que mais conquistaram medalhas. A tarefa é difícil, mas temos talentos e representantes que darão todo o seu suor, energia e paixão por um desempenho ainda mais vigoroso e admirável.

Via Revista Eventos

Redes sociais: Muito além de posts virtuais…

Se você navega em alguma rede social, recentemente, dificilmente ficou à margem da viralização do vídeo do “destruidor” Chico de Bauru, São Paulo.

Um cachorro de 08 meses, muito ativo, porque não dizer hiperativo, que no auge de sua energia, literalmente traçou o colchão de dormir da sua dona, deixando fragmentos do mesmo espalhado em todo o quarto, deixando-a desolada.

Além do colchão, Chico destruiu cobertores, almofadas e até mesmo o controle remoto da televisão. Frente ao cenário impactante, a tutora de Chico, Patrícia Barros, resolveu registrar o ambiente na tentativa de realmente convencer-se da ocorrência.

Logo, Chico tornou-se um dos assuntos mais comentados no País, com direito a memes, reportagens e comentários em todas as redes sociais.

A Sono Quality, empresa especializada em colchões elaborados por médicos e especialistas acoplados à alta tecnologia, não só ficou sensibilizada com o viral, mas agiu de forma muito oportuna e rápida para criar uma conexão exemplar com o fato.

Presenteou a dona de Chico, com um colchão da sua marca e não deixou o Chico de fora, ele também ganhou um colchão para chamar só de seu!

Essa ação gerou inúmeros compartilhamentos e curtidas da página da empresa nas redes sociais. Os comentários, típicos de polarização, entre lovers haters, sucumbiu muito mais os elogios à atitude da empresa, o que demostrou não só a comoção institucional, mas sobretudo o pensar estrategicamente e não deixar passar em branco oportunidades para criar ou sedimentar uma imagem.

E é exatamente isso que na contemporaneidade faz toda a diferença…entre tanto bla-blá, postagens meramente comerciais, muitas ocas, sem emoção, a empresa conseguiu se conectar ao assunto do momento, no qual um dos personagens participantes estava diretamente ligado ao seu negócio e por isso mesmo buscou agir, demonstrando que está antenada com o dia a dia, que pensa rápido e tem posicionamento.

Isso tudo é transferido para a marca, que conecta-se de forma mais autêntica e empoderada às mentes e corações dos consumidores, prospects, formadores de opinião, enfim, a sociedade como um todo.

A empresa, é lógico, pertence ao primeiro setor, tem interesses comerciais e sagazmente monetizou sua doação e criou posts específicos para celebrar e comprovar sua atitude.

A foto abaixo, retirada de um post da Sony Quality, em apenas dois dias, conseguiu 30.000 compartilhamentos, fato histórico para a empresa, que jamais teve tanta visibilidade coletiva assim.

“Não. Não acredito nisso. ???????? O Chico ganhou um Colchão Sono Quality só para ele ????????. Isso é bom demais para ser verdade.

Agora ele e a mamãe vão repousar cuidando da saúde. ????”

A família de Chico, ou melhor da Patrícia Barros, também ganhou uma consultoria da terapeuta canina Kathi Drisner no intuito de oferecer suporte sobre como lidar com o excesso de energia do vira-lata, já que  “Artes” como a de Chico são comuns em animais que ficam ansiosos quando estão sozinhos.

Muito se fala no ambiente virtual, mas é preciso, cada vez mais, realmente, estar alinhado com o hodierno real. Em tempos de concorrência acirrada, essa escala torna-se o sonho e meta das corporações que há muito já compreenderam que a estratégia em voga, hoje, é humanizar-se perante a sociedade, fomentando um pacto de aproximação e identificação, incitando experiências que revelem sentimentos, muitas das vezes adormecidos pelo contraste com o dia a dia frenético e compulsivo da sociedade moderna.

As empresas representam os eixos fundamentais de toda a engrenagem de uma sociedade de consumo, porém não podem viver somente de seus lucros e dividendos. Seus acionistas e proprietários são devedores e credores, não só em oferecer empregos diretos e indiretos, honrar seus deveres tributários, ofertar produtos e serviços de excelência, mas também de investir na evolução da qualidade de vida e bem estar de toda a sociedade, já que é integrante da mesma, e não um agente alienado.

Mas porque não vemos tantos comportamentos empresariais assim?

Provavelmente não perceberam a importância e a diferença entre divulgar e relacionar-se. Para isso, ter uma equipe de Comunicação, se possível integrada – RP, Jornalismo e PP – irá ser crucial. Mas não basta somente ter os melhores profissionais, repletos de conceitos e expertises técnicos, eles têm que ter sensibilidade, interesse genuíno no outro, ter a empatia em escala elevada para justamente gerar ações que estimulem as percepções positivas de uma marca.

Por mais ações como essas em nossas empresas, negócios, marcas, mentes e corações! É isso que queremos… Acordem marcas e empresas… enquanto uns ganham espaços no real e no virtual… outros se perdem… e provavelmente – em breve – deixarão de existir.

Ah… o Chico acabou sendo o protagonista de toda a história… mas o Luke, o outro cachorrinho da casa, um Lhasa Apso, que no vídeo não aparece pois estava escondido embaixo do colchão, segundo sua tutora, ainda não foi declarado totalmente inocente… há grandes chances do mesmo ter participado da farra, digo, ação destruidora, afinal, tudo que é compartilhado tende a ser melhor!!!

Via PromoView

RP: O poder da empatia na construção de alianças corporativas

105 anos… uma atividade secular, mas que somente agora na segunda década do Século XXI debuta como um dos mais relevantes e sólidos elos comunicacionais, fomentadores de imagens e reputações que geram relacionamentos frutíferos e sinergias coabitadas na essência humana, de interdependência social.

Essa longeva profissão conhecida, ou melhor, desconhecida, por muitos, chama-se Relações Públicas.

Infelizmente, como integrante do tripé macroestrutural da Comunicação, lado a lado com o Jornalismo e a Publicidade, as Relações Públicas ainda representam uma grande incógnita no imaginário brasileiro, tanto nas esferas corporativa, governamental e da própria opinião pública.

Sua pluralidade e extensão de atividades conectadas geram interpretações superficiais e paradigmas conflitantes, de difícil compreensão e/ou sobreposição.

É vital reconhecer que o profissional de RP tem em sua formação técnicas inúmeros instrumentos estratégicos visando estabelecer uma ética autêntica e mútua comunicação entre uma empresa, negócio, marca, produto e/ou serviço e seus diversos públicos de interesse, os famigerados, stakeholders.

A visão e foco do trabalho de um RP é multi: disciplinar, cultural, político, porém, nada orgânico, já que o planejamento de suas ações preza por investir na compreensão dos anseios, percepções, questionamentos e diversidades de seus interlocutores por meio de pesquisas dirigidas, e, dessa forma, estabelecer premissas únicas, exclusivas e customizadas, afinal somos seres diferentes, com demandas e particularidades distintas também.

Organização de eventos, assessoria de comunicação, cerimonial e protocolo, gerenciamento de crises, comunicação interna, lobby, compliance, brand content, projetos de tesponsabilidade social empresarial, gestão de mídias sociais  são exemplos do portfólio de atuação das RPs.

Como profissão legitimada, representada por um Conselho Profissional, que é uma autarquia pública, só podem exercer funções de Relações Públicas, aqueles que tiverem formação universitária específica e que sejam registrados nos respectivos conselhos de sua região de atuação.

Dessa forma, a sociedade tem garantias que esse grupo exercerá com maestria ética, referendada por órgão fiscalizador e orientativo.

Profissionais de outras áreas, mesmo que próximas, não poderão realizar essas atividades e muito menos se autoproclamarem RPs, sendo passíveis de multas por exercício ilegal da profissão.

Há uma latente e urgente dinâmica de que empresas e a opinião pública sejam impactadas por informações e dados relativos às RPs, justamente para evitar incompreensões e ignorâncias a cerca desse universo profissional, vital para o desenvolvimento de relacionamentos conspícuos e salutares a uma convivência harmoniosa saudável e rica para todos os envolvidos, afinal, empatia há mais de um século não é apenas uma palavra bonita, ela está no DNA dos RPs.

Se no seu negócio está faltando empatia, certamente é resultado da ausência de um RP legítimo.

Não persista no erro… Todo mundo precisa de um RP…. Todo mundo merece ter um RP.

Não pense muito… Contrate um RP e surpreenda-se com a guinada em seus negócios.

Fonte: PromoView

As Relações Públicas na campanha eleitoral e no palco político

A figura do gerenciador do Marketing Político em corridas eleitorais, ganha espaço nos últimos processos, principalmente quando o candidato necessita de estratégias para dar visibilidade para sua campanha. Planejar cada passo do político, atento aos anseios do eleitorado, no sentido de aferir o arquétipo desejado, configura-se em um importante diferencial que, deve contribuir com o alvo pretendido.

No livro HiperPublicidade, organizado pelos professores da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Ivan Santos Barbosa e Dra. Clotilde Perez, explica que diante os 4Ps de Jerome McCarthy, o Produto se torna o Candidato, o Preço converte-se no Custo da campanha, a Praça transfigura-se na Conveniência e a Promoção resulta na Comunicação. Analisar e identificar as variáveis que interferem no desempenho do voto ou aceitação de um determinado candidato de maneira positiva ou negativa no palco político, afeiçoa-se como o principal desafio, lembrando que, a identidade não deve ser violada, e sim mantida.

Os atores que comungam de um mesmo pleito, muitas vezes, sujeitam-se a vestir qualquer máscara na busca incessante pelo voto. Semelhante ao afirmado pelo pioneiro do Marketing Político no País, professor Gaudêncio Torquato, a palavra-chave para desvendar a arte da política é personna. Significado que qualifica a “máscara de teatro, usada inicialmente pelo antigo teatro grego, depois pelos romanos, e trocada de acordo com o papel do personagem”. Essa natureza forçada, não agrada e muito menos cativa os eleitores exigentes, que germinam como verdadeiros defensores de valores sociais. Nessa vertente, Gaudêncio explica que atrás da máscara está a verdadeira face: “na troca de papéis; a plateia acaba confundindo a máscara com a identidade do ator, não sabendo onde começa a verdade de um e a mentira do outro”.

As Relações Públicas devem acautelar a integridade e veracidade da personalidade, bem como se posicionar contra a qualquer desvirtuamento da originalidade do candidato. O autêntico articulador projeta-se à transparência e condutas éticas, mesmo no campo do esquecimento moral. Essa perspectiva, aventura-se a esclarecer os desafios do palco político que, prolonga-se nas campanhas eleitorais.

O sucesso do pleito eleitoral não se resume à vitória, mas na sapiência em manter um discurso coerente do candidato, embasado em seus princípios. Diante de tantas prisões do meio político/governamental, o profissional preparado para reger o MarketingPolítico/Eleitoral de uma campanha, afigura-se nos Relações Públicas. Especialista em realizar a leitura do jogo político e colocar a campanha nos trilhos desejados.

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Tarsis de Camargo e Fábio Mascarenhas são professores do curso de Relações Públicas da Universidade de Sorocaba (UNISO).