As Relações Públicas na campanha eleitoral e no palco político

Por Tarsis de Camargo e Fábio Mascarenhas

 

A figura do gerenciador do Marketing Político em corridas eleitorais, ganha espaço nos últimos processos, principalmente quando o candidato necessita de estratégias para dar visibilidade para sua campanha. Planejar cada passo do político, atento aos anseios do eleitorado, no sentido de aferir o arquétipo desejado, configura-se em um importante diferencial que, deve contribuir com o alvo pretendido.

No livro HiperPublicidade, organizado pelos professores da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Ivan Santos Barbosa e Dra. Clotilde Perez, explica que diante os 4Ps de Jerome McCarthy, o Produto se torna o Candidato, o Preço converte-se no Custo da campanha, a Praça transfigura-se na Conveniência e a Promoção resulta na Comunicação. Analisar e identificar as variáveis que interferem no desempenho do voto ou aceitação de um determinado candidato de maneira positiva ou negativa no palco político, afeiçoa-se como o principal desafio, lembrando que, a identidade não deve ser violada, e sim mantida.

Os atores que comungam de um mesmo pleito, muitas vezes, sujeitam-se a vestir qualquer máscara na busca incessante pelo voto. Semelhante ao afirmado pelo pioneiro do Marketing Político no País, professor Gaudêncio Torquato, a palavra-chave para desvendar a arte da política é personna. Significado que qualifica a “máscara de teatro, usada inicialmente pelo antigo teatro grego, depois pelos romanos, e trocada de acordo com o papel do personagem”. Essa natureza forçada, não agrada e muito menos cativa os eleitores exigentes, que germinam como verdadeiros defensores de valores sociais. Nessa vertente, Gaudêncio explica que atrás da máscara está a verdadeira face: “na troca de papéis; a plateia acaba confundindo a máscara com a identidade do ator, não sabendo onde começa a verdade de um e a mentira do outro”.

As Relações Públicas devem acautelar a integridade e veracidade da personalidade, bem como se posicionar contra a qualquer desvirtuamento da originalidade do candidato. O autêntico articulador projeta-se à transparência e condutas éticas, mesmo no campo do esquecimento moral. Essa perspectiva, aventura-se a esclarecer os desafios do palco político que, prolonga-se nas campanhas eleitorais.

O sucesso do pleito eleitoral não se resume à vitória, mas na sapiência em manter um discurso coerente do candidato, embasado em seus princípios. Diante de tantas prisões do meio político/governamental, o profissional preparado para reger o Marketing Político/Eleitoral de uma campanha, afigura-se nos Relações Públicas. Especialista em realizar a leitura do jogo político e colocar a campanha nos trilhos desejados.

Tarsis de Camargo e Fábio Mascarenhas são professores do curso de Relações Públicas da Universidade de Sorocaba (UNISO).