A função política das Relações Públicas

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Por Patrícia Manelli e Fábio Mascarenhas  

Em meio a tantas discussões, definições e conceitos acadêmicos das Relações Públicas, a ideia de defender uma rede teórica para a profissão, formalizada por Roberto Porto Simões há quase 25 anos, apresenta-se, no mínimo, como uma atual percepção da função estratégica desta carreira.

Um atilamento que, projeta-se a partir da relação organização-público, embasada na criação de canais para legitimar as ações empresariais, na tangente do processo de escolha do comportamento humano. Essa escolha, apresentada pelo professor de Ética da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Clóvis de Barros Filho, que faz com que o profissional das Relações Públicas esteja atento às angústias dos públicos de interesse da organização.

O conflito, inerente ao relacionamento humano, origina-se de uma problemática ou de uma insatisfação de uma das partes que, quando não tratado de maneira adequada, ou tratado tardiamente, pode-se eclodir na convulsão social. Esse antagonismo extremo do sistema organizacional significa a inabilidade, bem como a despreocupação da empresa com seus públicos prioritários.

Para Simões, essa relação classifica-se como “o conhecimento científico que explica, prevê e controla o exercício de poder no sistema organização-público”. Administrar a convivência do ser humano, através do processo de comunicação, buscando o entendimento dos vínculos de poder exercido por cada protagonista deste processo, compreende-se na função política das Relações Públicas.

Com a função política, a arte de harmonizar os interesses, esse profissional diferencia-se dos demais integrantes da comunicação social, mostrando-se um gestor da comunicação com uma visão administrativa do negócio. Tal habilidade de pensar a relação de poder na esfera organização-públicos pode garantir o sucesso e a credibilidade de um negócio, marca produto e/ou serviço.

Mais do que a boa imagem, a confiança deve ser estabelecida através das ações pré-estabelecidas por um mecanismo de planejamento estratégico, pelo qual se delimita o respeito e a transparência que a empresa necessita ter no mercado acirrado da concorrência. Assim sendo, a função política das Relações Públicas se figura como um aspecto essencial para sobrevivência das organizações, bem como na construção e manutenção de relacionamentos duradouros.

Patrícia Manelli é relações-públicas formada pela Universidade de Sorocaba (UNISO) e Fábio Mascarenhas é relações-públicas e professor Universitário.

Referência bibliográfica:

SIMÕES, Roberto Porto. Relações Públicas: Função Política. Novo Hamburgo: Feevale, 1987.